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delírios:
"A CAMINHADA DA MORTE"
Lá vem pela estrada a Morte
Com seu terrível gadanho
Só ouve o passante incauto
O passo e um arfar de fanho
Embaixo da capa preta
Que vem da moda de antanho
O ser de maldade espreita
"Uma alma ainda hoje eu ganho"
Vinha eu feliz trotando
Ainda cheirando a banho
Quando sinto às minhas costas
Um fedor de mussaranho
Cheiro de mofo e carniça
Um fedor de bom tamanho
Quando olhei só vi os dentes
A caveira riu: "já te apanho!"
Saí em carreira forte
Nos matos eu só me lanho
E a Morte, essa desgraçada
Me grita "agora eu te ganho!"
Mas de arfar e bufar tanto
Me sobe um catarro estranho
Pensei: oba, isso serve
E com pouco esforço apanho
Do nariz atiro à estrada
O enorme bolo de ranho
Brilhando, amarelo cai
Em frente ao bicho tacanho
A morte no ranho pisa
E tranca a sandália, eu ganho
Uns metros a mais e paro
Pra ver rolar sem amparo
O monstro do mau gadanho
Se escangalhou toda a Morte
Agora não tira mais sarro
Ganhou dessa vaca velha
Um bem grudento catarro
E eu disse: "te ri agora
Bicho fia da puta estranho
Aprende a não vir atrás
De quem não é do teu tamanho
Que se os anjo não me guenta
Se Jesus não me sustenta
Se a Igreja xexelenta
Não me salva do gadanho
Eu mesmo cuido da vida
Me salvo da tua ferida
Graças ao meu grosso ranho!"
José Truda Palazzo Jr.
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