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delírios:
"O BESOURO ROLA-BOSTA"
Sou um pequeno inseto
De quem ninguém gosta
Mas de mim não suspeitam
Que sem mim não deitam
A não ser em desertos de bosta
De fato sem mim
A savana sem fim
Não seria mais que de merda crosta:
Trabalho sem pressa
Enterrado nessa
Enorme montanha de bosta
Passou o elefante
Cagou-se bastante
E a gazela - se queres, aposta
Leão, chita, leopardo - a fauna africana
Sem pressa nem medo, com um cheiro bacana
Despeja sua carga de bosta
A mim cabe o trampo
De dar um destino
A toda essa penca de bosta
Sem pá, colher, grampo
É um desatino
Fazer isso enquanto o sol tosta
Com muito carinho
Rolo até meu ninho
Empurro essa carga de costa
Nada é mais bonito
Que o som desse atrito
Da grama na bola de bosta
Atraio uma fêmea
A minha alma gêmea
Com isso que mais ninguém gosta
Pra mim vale ouro,
Sou só um besouro
Mas eu amo ser Rola-Bosta!
E assim continuo
A saga evolutiva
Humilde eu atuo
E deixo a terra viva
Varando o deserto
De frente e de costas
À merda os tesouros
Carnes, pelos, couros
Sou um dos besouros
Os bons Rola-Bostas!
José Truda Palazzo Jr.
Publicado apenas aqui nesta página mesmo.
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